Um novo desafio

Thiago

Thiago Julianelli é estudante de Jornalismo da FACHA e ex-aluno da Faculdade CCAA (Foto: Almeno Campos)

Apesar de não ser algo corriqueiro as faculdades podem fechar as portas a qualquer momento, geralmente o fechamento dessas instituições ocorrem devido a questões financeiras ou por consequência de uma má qualidade de ensino e infraestrutura, quando isso acontece é necessário notificar o MEC (Ministério da Educação) e facilitar a vida do aluno realizando uma transferência assistida.

Os imprevistos acontecem a qualquer momento e desse modo a faculdade deve garantir o direito da demanda de seus alunos e facilitar a transferência dos mesmos para outras instituições no caso da inviabilidade da continuação de um curso ou da própria instituição. As soluções devem ser propostas pelas faculdades mediante aprovação e notificação prévia do MEC.

Algumas das instituições de ensino mais famosas do Rio, como Gama Filho e UniverCidade, encerraram suas atividades em 2014 por problemas econômico-financeiros e por não haver nenhum planejamento adequado que pudesse reverter tal situação. Outra instituição, diferente das pioneiras, por ter sido inaugurado apenas há uma década, a CCAA, anunciou também seu fechamento alegando que o desempenho financeiro não permitia a manutenção da qualidade de ensino e da sua estrutura reconhecidamente diferenciada. A CCAA não pode garantir a mesma qualidade do ensino proposta no seu auge pelo valor de mensalidade dos cursos contrapondo com sua baixa demanda de alunos.

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Prédio da antiga Faculdade CCAA, localizado no bairro de Riachuelo, Zona Norte do Rio (Foto: Almeno Campos)

O MEC informou que o processo de transferência fica a critério da instituição, não gerando nenhum tipo de burocracia para os alunos, e as mensalidades geralmente são equiparadas às faculdades de origem.

Porém o que desmotiva os alunos é serem pegos de surpresas por comunicados repentinos, também há a preocupação com a nova adaptação e o tempo de conclusão do curso. Desanimados, alguns chegam até a abandonar de vez o ensino superior. O que o jovem sente nesse momento é uma tremenda frustração por sua luta até o vestibular, os estudos, as noites mal dormidas e no fim, o descaso perante as instituições.

No caso da Universidade Gama Filho, que foi considerada um dia uma das melhores faculdades do Brasil, os alunos precisaram se readaptar a mudança ainda com uma maior complicação; muitos ficaram sem aulas durantes meses e tiveram seus documentos presos sem conseguir solicitar a transferência para outras faculdades. Na época professores e funcionários estavam de greve por falta de pagamento.

Nesses casos o MEC se responsabiliza por repassar essas instituições falidas para outros grupos educacionais que precisam por sua vez reestruturar um plano de adequação e recepção desses novos alunos.

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A FACHA recebeu os alunos da Faculdade CCAA, que encerrou suas atividades no final de 2014 (Foto: Almeno Campos)

 

Para o professor Guto Neto que trabalha na FACHA, uma das instituições de ensino que recebeu alunos de origem da CCAA, a maior preocupação foi com recepção desses novos alunos, uma vez que já tinha sido feito um acordo institucional não acarretando em maiores problemas burocráticos.  O professor afirmou em entrevista que a transição deve ser tranquila para facilitar a socialização com o meio.

“Acolher e dar estrutura são os pontos mais importante na adaptação de qualquer aluno que ingresse em uma nova faculdade. ” Afirmou Guto.

As universidades precisam se reinventar mediante as novas tecnologias, o mercado está cada vez mais acirrado e necessita de novas abordagens de ensino e uma maior personalização das aulas. O jovem de hoje busca interação e mensalidades mais acessíveis, tempo e criatividade. Uma mudança de postura também se faz necessária por parte dos professores e dos seus modelos curriculares. As universidades contribuem muito para o desenvolvimento do aluno quanto a formação acadêmica e sua especialização para o mercado. O mundo exige pessoas criativas que promovam mudanças.

GABRIELLA BAPTISTA

 

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Definir o futuro com o ENEM

As tensões que o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) vem causando na vida diária dos jovens brasileiros podem virar estatísticas.

Vem crescendo o número de relatos onde o ENEM está ligado à problemas psicológicos na mente dos jovens do Ensino Médio Brasileiro. A escolha de uma carreira acaba levando os adolescentes, que estão sendo preparados para uma prova de vestibular, a procurar apoio naqueles que estão mais perto. A psicóloga, Marta Teixeira (50 anos), conta que entre 14% e 20% dos seus pacientes têm algum diagnóstico psiquiátrico identificável, que geralmente tem pequena gravidade, mas já é o suficiente para atrapalhar no desenvolvimento dos jovens na prova.

O Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) foi a primeira iniciativa ampla de avaliação do sistema de ensino implantado no Brasil. A prova foi criada em 1998 e era usada para avaliar apenas a qualidade de educação nacional, ela era aplicada para os alunos do ensino médio das escolas públicas e privadas, para colaborar com o ministério na elaboração de políticas pontuais e estruturais de melhoria do ensino do país através dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do Ensino Fundamental e Médio.

Desde 2009, a prova que era constituída por 63 questões e aplicada em apenas um dia, passou por uma reformulação e o Ministério da Educação resolveu torna-la como o principal método de entrada dos alunos nas faculdades. O exame que até então era utilizado por poucas Universidades, que usavam porcentagem da nota, no seu novo modelo leva 180 questões objetivas e um redação, feito agora em dois dias e com ele um peso de unificar o vestibular das instituições de ensino superior federais, estaduais e algumas de ensino privado brasileiro.

Entretanto, o ENEM vem causando diferentes polêmicas ao longo dos anos. Marta, especializada em jovens e adolescentes, usa da sua profissão para que os seus pacientes não sejam afetados psicologicamente por esses fatos, uma vez que causa demasiadas preocupações. “Muitos jovens que vão ao meu consultório acabam por ter como opção a desistência do ingresso em faculdades públicas e procuram meios mais práticos para entrarem em faculdades particulares, uma vez que elas também oferecem vestibular para bolsas de ensino”, relata a psicóloga.

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Sala de computadores de uma escola do Rio de Janeiro

Polêmicas a parte, os estudantes estão a cada dia tomando mais consciência da importância do exame em suas vidas acadêmica, sabendo que o próprio definirá o futuro deles. A nota do ENEM é válida como pontuação para seleção do ProUni, do Sistema de Seleção Unificada (SiSu) e também serve como certificação de conclusão do ensino médio para alunos com idade acima de 18 anos.

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Aula de Slides em uma escola do Rio de Janeiro

A aluna Letícia Faria, 17 anos e estudante do ensino médio, partilha de experiências tensas nesse período de preparação para o vestibular. “Sinto os meus pais e professores, depositarem uma grande expectativa a respeito do resultado do ENEM. Eu venho buscando todo um preparo necessário para uma boa nota na prova!”, conta a jovem. Norma Faria (43 anos), mãe da Letícia, conta que vê a sua filha mergulhada em seus livros dia após dia e se encontra preocupada com o estado psicológico da mesma. “Vejo a Letícia muito focada em seus objetivos e apesar disso me alegrar, tenho medo da cobrança que ela pode gerar em torno de si mesma para alcançar a graduação que tanto deseja. Até porque, caso ela não consiga, ela poderá acabar se frustando e desanimar no próximo ano”, relata a mãe.

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Momento de estudo dos alunos – Cadernos e livros 

A professora de química orgânica, Flávia Costa (37 anos), conta que o ENEM surgiu como forma de valorizar a lógica e a capacidade de interpretação dos alunos, estimulando o raciocínio e as ideias dos mesmos. “Diferente das provas antigas de vestibulares, o exame não quer que os jovens apenas decorem fórmulas e datas”, explica a professora. A prova exige compreensão das questões e cobra mais domínio sobre o conteúdo do Ensino Médio, a mesma busca avaliar competências e não informações. “Busco fazer com que os meus alunos entendam que as atividades diárias depende do ato de leitura e interpretação, para decodifiquem códigos, sinais e mensagens por meio de diferentes linguagens, pois o ENEM é uma combinação do plano de ensino com a realidade”, fala Flávia.

Segue no vídeo abaixo mais alguns relatos envolvendo o tema ENEM, com histórias e experiências vividas por outros alunos:

 

Lei de Cotas

Além dos jovens terem a preocupação com o preparo da prova do ENEM e de suas pontuações, acabam se preocupando também com a quantidade de vagas oferecidas pelo SiSu (Sistema de Seleção Unificada), já que o mesmo conta com vagas limitadas e também com uma porcentagem já reservada em respeito a lei de cotas.

Dessa reserva de vagas, contamos com metades delas para candidatos com renda mensal até 1,5 salário mínimo por pessoa e a outra metade para renda superior a esse valor. Dentro de cada faixa de renda existe, vagas reservadas para negros, pardos e indígenas, em distribuição proporcional aos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatítica (IBGE) por estado.

O critério da raça será autodeclaratório, como ocorre no censo demográfico e em toda política de afirmação no Brasil. Já a renda familiar per capita terá de ser comprovada por documentação, com regras estabelecidas pela instituição e recomendação de documentos mínimos pelo MEC”, segundo o Portal MEC e ainda “(…) o MEC incentiva que universidades e institutos federais localizados em estados com grande concentração de indígenas adotem critérios adicionais específicos para esses povos, dentro do critério da raça, no âmbito da autonomia das instituições.”

BRUNA COUTO

Jovens recorrem ao EJA como forma de completar os estudos

Estilo de ensino também ajuda a recuperar a autoestima dos estudantes

POR Almeno Campos

Muitos jovens acabam abandonando os estudos por algumas razões: aulas não atrativas, falta de motivação, problemas pessoais, entre outros motivos. Porém, o tempo passa e muitos deles têm o desejo de retornar a estudar, e uma das alternativas é a Educação Básica para Jovens e Adultos (EJA).

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O baixo investimento na educação: as consequências para os jovens

O Brasil sofre historicamente com uma educação de baixa qualidade. Isso é consequência do fraco investimento no setor.  Hoje, o país investe 6,6% do PIB (Produto Interno Bruto, que é a soma de todas as riquezas produzidas no país) na educação. O índice já supera a média de 5,6% apurada em 2011 – dado mais recente – entre os integrantes da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), formada, em sua maioria, por nações ricas. A parcela de sua renda reservada ao setor é superior, por exemplo, à reservada pelos Estados Unidos. O objetivo do Plano Nacional de Educação (PNE) é, até 2024, chegar ao investimento na área em 10% do PIB.

Com um investimento melhor na educação seria possível equipar melhor as salas de aula e trazer mais tecnologia aos alunos e melhorar a qualidade de educação de crianças, jovens e adultos do ensino do estado do Rio de Janeiro. Como consequência, os estudantes teriam uma motivação maior para estudar. E a falta de estímulo é um dos problemas que fazem muitos jovens abandonarem os estudos.

Segundo dados do Instituto Unibanco, feito com base nos últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 1,3 milhão de jovens entre 15 e 17 anos deixaram a escola sem concluir os estudos, dos quais 52% não terminaram sequer o ensino fundamental. De acordo com esse estudo, há outras razões que levam ao abandono, como a baixa qualidade do ensino e o currículo, especialmente no ensino médio, enciclopédico e com pouca flexibilidade para escolhas.

EJA: Solução para continuar os estudos

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Muitas pessoas que pararam de frequentar as escolas voltam às salas de aula para concluir os estudos e a Educação Básica para Jovens e Adultos (EJA) é um dos caminhos para aqueles que desejam voltar a estudar. A EJA é destinada para jovens que não puderam concluir seus estudos. Sua proposta educacional, para muitos, supera o modelo escolar convencional, proporcionando um ambiente de aprendizado que estimula a autonomia. Mas muitos que chegam ao EJA com a confiança e baixa auto- estima, como explica Adriana Cerqueira Baptista, professora do Centro de Jovens e Adultos de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

– Muitos vêm com baixa autoestima, desanimados. O nosso objetivo maior é conversar, levantar a autoestima, trabalhar o lado emocional, dar apoio e incentivá-los a concluir o curso. – disse Adriana.

Uma das marcas registradas do EJA é recuperar o estímulo dos estudantes. Isso já é alcançado, deixando os professores felizes por executar o seu papel, como destaca Adriana.

– A nossa grande alegria em trabalhar com esses jovens é porque, diferente das escolas estaduais ou particulares, eles vêm com muito carinho para a gente, com vontade de aprender, de conseguir alcançar os seus objetivos. Por mais que estejam desanimados, eles se encontram fortalecidos com as nossas palavras e vencem, conseguem superar dificuldades e alcançar as suas etapas.

Deficiência na formação continuada de professores

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A deficiência na formação continuada dos professores é outro grande problema na educação brasileira. Ela é importante pois, a partir dela, os docentes poderão melhorar sua prática docente e seu conhecimento profissional, porém, é importante ter também muito conhecimento sobre o mundo. Essa carência na formação acaba prejudicando na formação do profissional. Como consequência, o docente não passa bem os conteúdos e, assim, desestimulando os jovens a estudar.

– Esse conhecimento (sobre o mundo) tem como relação o conhecimento que o docente tem sobre tudo o que se passa ao seu redor, porque a trajetória profissional do professor só terá sentido completo se estiver relacionada a sua vida pessoal, e na interação com o próximo, já que o professor tem como dever passar aos alunos uma reflexão crítica sobre, por exemplo, os problemas da nossa sociedade – comenta a psicóloga Stelamari Baptista, que também foi professora durante 20 anos da rede estadual e municipal de ensino do estado do Rio.

Porém, a formação continuada está passando por problemas. De acordo com o estudo “Formação continuada de professores no Brasil”, feito pelo Instituto Ayrton Senna em parceria com The Boston Consulting Group, consultoria multinacional de gestão empresarial, divulgado em 2014, mais de 70% das atividades de formação continuada de professores no Brasil têm baixa eficácia e aplicabilidade, deixando o docente desmotivado e sem tempo para continuar com os estudos.

Mais de 70% dos profissionais consultados na pesquisa disseram que as atividades oferecidas em sua escola são de caráter coletivo e “fora da sala de aula”, como acesso ao material didático, reuniões pedagógicas e participação em eventos. Para os pesquisadores do projeto, esse enfoque em práticas conjuntas e mais distantes do cotidiano escolar resulta em iniciativas de baixo impacto na melhoria do ensino.

– É necessário que o Ministério da Educação invista mais na formação continuada. Ela é uma das bases para um ensino de qualidade. Se essa melhora não acontecer, como é que a nossa educação vai melhorar? – questiona Stelamari.